Brasil para lerdos
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@brparalerdo
Aug 26 1 year ago 31 tweets Read on X
AI Summary

Este fio revela como a Brasil Paralelo e aliados criaram uma falsa narrativa ao redor do caso Maria da Penha, usando entrevistas e vídeos manipulados para defender o agressor. Eles tentam transformar um julgamento justo em uma suposta injustiça, promovendo ideias anti-feministas e narrativas de direita que ganham dinheiro e influência ao distorcer a história real.

🔍 DESVENDANDO as Narrativas Falsas da Brasil Paralelo 🔍

A produtora Mente sobre tentativa de assassinato de Maria da Penha para destruir símbolo da luta contra violência à mulher.

Neste fio, desmascararemos as estratégias e objetivos por trás dessa falsa narrativa. 🧶

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Como essa versão chegou na Brasil Paralelo?

A versão trazida pela BP é apenas a reprodução da tese da defesa de Marco Antonio Heredias, o homem que tentou matar Maria da Penha.

Versão essa presente no processo em que foi julgado e condenado.

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No entanto, uma das pessoas que ressuscitou essa narrativa no submundo da internet foi Alexandre Paiva. Presidente do IDDH - Instituto de Defesa de Direitos dos homens

Paiva é um homem ressentido que foi afastado do convívio com as suas filhas por uma medida protetiva da Lei Maria da Penha.

A partir daí, passou a ter uma obsessão pelo fim da Lei e basear sua atuação nas redes nisso.

Paiva é o primeiro entrevistado do episódio da BP.

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Em 09/21, Paiva entrevista pela primeira vez Marco Antonio Heredias, o agressor de Maria da Penha.

Estava definida a estratégia. Promover o caso como uma injustiça com o agressor.

A partir de então entrevista Heredias várias vezes e eles passam a ter uma relação pessoal

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O deputado Jessé Lopes de SC tb recebeu Heredias em seu gabinete “para ouvir sua versão”.

Diante da má repercussão, o deputado se pronunciou dizendo que não é contrário à lei e que “ouvir a versão do não significa que corrobora com a fala apresentada
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A versão de Heredias começa a ganhar tração quando Paiva faz uma live com Ricardo Ventura, dono do canal “Não minta pra mim”, que se diz especialista em “linguagem silenciosa”, uma pseudociência vendida como forma infalível de detectar quando uma pessoa está mentindo.6/37

O canal de Ventura possui 1,4 mi de inscritos e foi a primeira vez que Paiva reverberou a versão de Marco Antônio sobre o caso em um canal de grande alcance;

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Ventura leva o caso para o +1 podcast da Jovem Pan. No programa estavam Paiva, Ventura, o Advogado Otacílio Guimarães e Marco Antônio Heredias.

Neste dia, já estava pronto o esboço para o doc da BP, só faltava embalar como um episódio de true crime e lançar.
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Na mesma Jovem PAN, Ventura leva essa versão da história para Pietra Bertolazzi, conhecida anti-feminista e figurinha carimbada da Brasil Paralelo.

Pietra é a responsável por fazer a ponte entre Paiva, Ventura, Marco Antônio e a Brasil Paralelo.

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A partir deste momento, Bertolazzi começou a falar em podcasts sobre a “farsa da maria da penha” e foi processada pelo instituto Maria da Penha.

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Neste momento, a história já ganhava o submundo dos Redpills e das antifeministas.

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A Brasil Paralelo transformou a versão do condenado no caso Maria da Penha no episódio de lançamento da temporada do Investigação Paralela, com uma estratégia de marketing focada no caso

O Elenco estava pronto. E escolhido a dedo para tentar tornar a narrativa convincente.
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Alexandre Paiva, o homem “injustiçado” que sofre as mazelas da Lei Maria da Penha.

Otacílio Guimarães, o advogado criminal que estudou 1700 páginas do processo. Para trazer autoridade jurídica ao caso

Marco Antonio Heredias, o agressor de Maria da Penha
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O que é a Investigação Paralela?

É uma série da BPque se vende como uma investigação de crimes com objetivo de buscar a verdade. Na prática, é uma série com objetivo de criar narrativas com objetivo político sobre os crimes

Os apresentadores são Henrique Zingano e Benke
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.

Ricardo Ventura, especialista em linguagem silenciosa. O “Identificador de mentirosos”.

Pietra Bertolazzi. A bela, recatada e do lar. O ponto que faltava. Uma mulher para corroborar com a narrativa dos 4 homens.

Estes são os ÚNICOS entrevistados da “investigação”

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Cada um tem um papel na construção das narrativas. Zingano é o apresentador sério, um Sherlock Holmes de baixo orçamento. Benke representa o leigo que supostamente está tendo acesso à “investigação” na hora, faz questionamentos a Zingano e acredita ou não nas teorias.

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O papel de Benke é representar o espectador da Brasil Paralelo, gerar empatia e ao ser convencido, convencer a audiência de que a conclusão chegada ao final do episódio é a realidade.

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Vamos ao episódio

Os depoimentos se complementam. Por vezes na transição um completa a fala do outro

A sensação é nítida de tudo roteirizado e dirigido. Não há contraponto

ps: Os trechos dos documentos que aparecem são a versão de defesa e não a conclusão do processo
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E com Marco Antônio a ficção se completa. O piano com uma música triste ao fundo

É possível identificar uma espécie de jornada do herói no roteiro construído . O estrangeiro que veio ao Brasil para vencer na vida e sofreu vários percalços e se apaixonou por uma brasileira.
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Durante suas falas, vão aparecendo várias fotos de Marco Antônio abraçado com esposa e filhos, de modo a formar a ideia de bom pai e marido amoroso.

Em dois momentos, Heredias vai às lágrimas ao falar do caso. E as câmeras, claro, não perdem nada e dramatizam esse momento

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Tudo é milimetricamente calculado para humanizar Marco Antônio e tornar sua versão palatável.

As interações entre apresentadores também não apresentam questionamentos sobre a versão de Marco Antonio.

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Os poucos momentos em que o apresentador “leigo” apresenta algum questionamento é prontamente respondido pelo “investigador” de forma rasa e rápida. E ele sempre absorve muito facilmente e acredita na versão.

Qual justificativa utilizam para explicar o por que de Maria da Penha fazer uma denúncia falsa? A mais caricata e machista possível.

Segundo a versão, Maria da Penha denunciou Marco Antônio por ciúmes. Por descobrir que era traída. Apelando ao senso comum e ao machismo.
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Reforço, a versão de Marco Antônio foi apresentada e derrotada na justiça 3 vezes. Para acreditar na versão, teríamos que acreditar em: - Advogados de defesa incompetentes,

Perícia incompetente
Laudo falsificado
Balística incompetente
Juiz incompetente
Júri incompetente
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Testemunhas mentindo,
Conspiração internacional com a ONU,
Queima de arquivo de um dos “”assaltantes pela polícia dentro da cadeia,
O advogado de defesa dele não coletou provas do assaltante supostamente preso com ele,
As filhas conspiraram contra ele.

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A tentativa de destruição de símbolos como estratégia de disputa do passado (neste caso um passado recente) é bem comum na extrema direita.

Leandro Narloch faz o mesmo quando inventa no Guia Politicamente Incorreto da História que Zumbi teve escravos. 25/37

E não se enganem, a disputa pelo passado é uma batalha também pelo presente

Observe na prática. Narloch inventa que Zumbi teve escravos. A narrativa vai com o tempo ganhando tração em parte da sociedade. 26/37

Tempos depois, essa falsa versão vira pauta e cria-se um projeto de lei para revogação do Dia da Consciência Negra por deputados da extrema direita.

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A Brasil Paralelo possui projeto próprio, mas serve também de aceleradora de disseminação de narrativas da extrema direita. Tudo que chega e é disseminado por eles ganha outro patamar de visibilidade.

Há estrutura para transformar aquilo em um produto e há muito dinheiro. 28/37

Há ideologia ao fazer esse trabalho, mas não podemos esquecer que isso dá muito dinheiro. A Brasil Paralelo só cresceu em ritmo acelerado por fazer do bolsonarismo sua principal fonte de renda.

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